Hidrografia de
Minas Gerais
Minas Gerais é um estado muito rico em
nascentes de água. As grandes bacias hidrográficas do país têm suas origens no
território mineiro, como é o caso das bacias do São Francisco, do Paraná e a do
Leste.
A bacia do Rio São Francisco tem como
principais componentes os rios São Francisco, das Velhas e Paracatu. O Rio São Francisco, considerado como o rio da
integração nacional, nasce na Serra da Canastra e desempenha papel fundamental
na vida de milhões de brasileiros, percorrendo grande extensão do território
mineiro, e partes dos Estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas, onde deságua no
oceano atlântico.
A bacia do rio Paraná banha parte do
oeste, o Triângulo Mineiro e o Sul de Minas, e é composta das sub-bacias dos
rios Paranaíba e Grande.
A bacia do Leste tem várias nascentes
em Minas Gerais. Elas dão origem a bacias menores, cujos rios correm nas seguintes
direções: para a Bahia, correm os rios São Francisco, Pardo, Jequitinhonha,
Buranhém, Jucuruçu, Itanhém / Alcobaça, Mucuri e Peruípe; para o Espírito
Santo, correm o Rio Itaúnas - quase na divisa com a Bahia - e os rios São
Mateus, Doce e Itapemirim; também no sentido leste, separando o Espírito Santo
do Rio de Janeiro, corre o Rio Itabapoana; para o Rio de Janeiro, corre o
Paraíba do Sul; e para São Paulo, o Rio Jaguari.
São essas inúmeras nascentes que
conferem ao Estado o título de Caixa D’Água do Brasil. Esses recursos hídricos
são amplamente utilizados pelas usinas hidrelétricas e represas, nos açudes e
canais para irrigação, nas atividades de Turismo e lazer, etc.
No entanto, grande parte dos rios de
Minas se encontra ameaçada pela exploração desordenada feita pelo homem, de
maneira predatória e inconseqüente, tanto em decorrência do desmatamento das
áreas das nascentes e das matas de galeria, quanto do lançamento de lixo e
esgoto, sobretudo aqueles produzidos nos centros urbanos e pelas grandes
unidades industriais. O baixo nível de consciência da sociedade em relação à
preservação ambiental também contribui para a degradação desses mananciais. Por
outro lado, os turistas que deixam lixo de todo tipo nas trilhas, cachoeiras e
praias fluviais, as pessoas que jogam lixo nas ruas, lotes vagos ou nas
estradas através das janelas dos veículos e os responsáveis pelos lixões
ignoram que as águas das chuvas, ao arrastarem esse material para os rios e
lagoas, acabam comprometendo ainda mais os ecossistemas regionais.
Felizmente, apesar de toda essa
degradação, diversas empresas e ongs de Minas vêm implementando inúmeros
projetos com o objetivo de minimizar os impactos sobre a natureza das ações
equivocadas produzidas pelo homem. São bons exemplos: o projeto Manuelzão,
desenvolvido pela UFMG, que visa a revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio
das Velhas; os projetos da Usina Termoelétrica de Igarapé / piracema e da
Represa do Peti, dentre outros desenvolvidos pela Cemig; eos projetos do Parque
Florestal da Serra do Rola Moça, da Reserva Florestal do Mutuca e da Reserva
Florestal do Rio Manso, implementados pela Copasa, estes últimos com proibições
severas, tentando salvar o que restou.
Para se ter uma idéia, apresenta-se, a
seguir, por região e numa abordagem mais genérica, a situação dos rios de Minas
Gerais:
Os rios Grande, Paranaíba e Araguari
percorrem o sul, o oeste e o Triângulo Mineiro, formando a bacia do Paraná.
Além de serem aproveitados para várias usinas hidrelétricas, a fertilidade do solo
em seus vales muito beneficia a atividade agropecuária.
Região Noroeste
A rede hidrográfica que banha a região
noroeste de Minas é constituída de afluentes do rio São Francisco, como os rios
Paracatu, Urucuia e Pardo, dentre outros que são aproveitados para o transporte
fluvial, escoando produtos agrícolas regionais.
Região Norte
No norte do Estado, o rio São Francisco
e seus afluentes banham uma região muito seca e pobre. Para piorar a situação,
o processo de poluição das suas águas está em níveis alarmantes. Rejeitos de
várias áreas urbanas são levados até o Velho Chico, principalmente através do
rio das Velhas e do Paraopeba. Mas, já se percebe também nessa região a
execução de alguns projetos agropecuários e industriais da Sudene como o
cultivo da uva, de frutas tropicais - como a manga e a pinha – e a produção de
cana-de-açúcar com seus respectivos alambiques. A Represa de Três Marias, além
de produzir energia elétrica, tem proporcionado o desenvolvimento do Turismo em
seu entorno, já que suas águas são um convite às atividades náuticas, à pesca e
aos esportes aquáticos.
Região Centro-Oeste
Esta região do Estado também possui
inúmeras nascentes. O destaque fica para a nascente do rio São Francisco, onde
as comunidades regionais e ongs lutam para protegê-la e para amenizar o grau de
poluição das águas ao longo do rio. Em Formiga, por exemplo, o Projeto da
Codema coordena junto aos presidiários um viveiro de mudas de plantas típicas
da região. Lagoa da Prata, por sua vez, desenvolveu um importante projeto para
resgatar o ecossistema local. O município foi submetido a um amplo
reflorestamento para recompor o desgaste do solo e dos mananciais. Milhares de
mudas nativas foram replantadas ali, culminando numa das maiores concentrações
de árvores replantadas em um mesmo município.
Região Nordeste
O clima quente e seco do nordeste
mineiro, o desmatamento em larga escala e as dragas de garimpos vêm
comprometendo o volume de água do histórico rio Jequitinhonha, tanto que seus
afluentes chegam a secar nos períodos de estiagem, fazendo desta região uma das
mais castigadas e miseráveis do país.
Região Leste
A bacia do Mucuri e a bacia do rio
Doce, com suas várzeas úmidas, férteis e de tamanhos significativos, por
banharem áreas industriais, também estão afetadas pela poluição e
pelo assoreamento. Em decorrência, as comunidades de muitos dos municípios ribeirinhos
acabam sendo vítimas das freqüentes inundações. Destaca-se, ainda, aqui, a
pequena bacia do rio Piracicaba, que deságua no rio Doce.
Região Sudeste
Nesta região de Minas, onde a
agropecuária é bastante desenvolvida, os rios Piranga e Manhuaçu – afluentes do
rio Doce – e os rios Paraibuna, Pomba e Muriaé – afluentes do rio Paraíba do
Sul – também passam pelos mesmos problemas do leste.
Região Sul
Os rios Grande e Sapucaí correm em uma
região agroindustrial de planalto ondulado, que faz parte da Serra da
Mantiqueira. É a região de Minas que concentra o maior número de circuitos
turísticos, a maioria deles voltada para o Ecoturismo e o Turismo Rural. Mas,
as chuvas e enchentes também afetam muito as cidades e estradas e comprometem o
desenvolvimento do Turismo.
Região Centro-Sul
Nesta região, os rios são de menor
porte, afinal, grande parte das nascentes está nas áreas mais montanhosas como
o Maciço do Espinhaço, as serras da Moeda, do Cipó e do Caraça. Chamam a
atenção, dentre outras, a bacia do rio das Velhas e a do Paraopeba. Grande
parte de seus percursos está em áreas industriais e de intensa atividade
mineradora. Em conseqüência, as águas estão comprometidas para o abastecimento
das áreas urbanas.
Enfim, mesmo com uma natureza tão
generosa, o assoreamento, os lixões, a poluição, a falta de consciência da
própria população e o descaso do poder público são fatores que interferem muito
negativamente na preservação desse imenso potencial hídrico de Minas Gerais.
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